O recolher obrigatório da bilhardice
Postos de bilhardice encontraram-se no Teatro baltazar Dias
Data: 11-05-2008
O 'Estado de Sítio' próprio das noites de sábado levou ontem ao recolher obrigatório dos 'Postos de Bilhardice', como medida preventiva contra males maiores.
Isto mesmo explicou ao DIÁRIO o artista plástico Ricardo Barbeito, que falou da necessidade de proteger os postos da 'ventania' que invade a cidade, movida pela euforia própria da febre de sábado à noite.
Os postos, da tão madeirense bilhardice, são parte integrante de um projecto multidisciplinar de arte pública efémera, happening/instalação. Inspirados na arquitectura civil da Madeira estiveram durante uma semana na Avenida Arriaga, em diversos pontos estratégicos, que definiram um trajecto até à instalação principal no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias. Seis dias em que foram alvo da intervenção pública e do público, que escreveu mensagens, colou fotografias, desenhou, abriu e fechou persianas. Seis dias que transformaram os "postos de bilhardice" vermelho vivo numa mescla de letras brancas, azuis, pretas. Mensagens, desabafos, desejos, vontade de rir, pretextos, e traduções livres de "bilhardice" para diversas línguas.
Tudo isto terminou ontem ao fim da tarde. Os postos, transportados pela força de vários braços, percorreram toda a Placa Central até junto da instalação mãe. Reunidos no átrio do Teatro Municipal Baltazar Dias, ali ficaram para, como explicou Ricardo Barbeito, cumprirem uma nova função: "ficarem a postos para ouvirem as conversas no intervalo da peça 'Elas sou eu'." Com o 'recolher obrigatório" dos postos de bilhardice recolheram-se também mensagens e intervenções da cidade, que ao longo desta semana mataram saudades desse velho hábito madeirense da bilhardice. A bilhardice assim exposta na placa mais central da cidade. A bilhardice a recolher mensagens, a fazer esquecer o 'sms', subitamente substituído pela caneta e o giz. A 'exposição-mãe' ainda pode ser hoje visitada, num projecto que pretende chamar a atenção para as especificidades do quotidiano regional, no que diz respeito à cultura, à linguagem, e à conjuntura artística actual, e que abarca aspectos relacionados com diferentes áreas do saber, aglutinadas numa linguagem artística que visa a reflexão, a ironia, a questionação e a crítica, em relação a um dos aspectos mais característicos do Homem como ser social - a comunicação.
Raquel Gonçalves
terça-feira, 20 de maio de 2008
Diário de Notícias 11-05-08
Diário de Notícias 07-05-08
Casos do dia
Instalações de artista aparecem vandalizadas
Data: 07-05-2008
Algumas das instalações colocadas por toda a cidade a fazer promoção da exposição do artista plástico Ricardo Barbeito apareceram deslocadas do sítio inicial onde tinham sido colocadas.
Uma delas, que se encontrava exposta na Rua João Tavira, apareceu ao contrário e terá sido arrastada até perto da estrada onde circulam os automóveis.
Ontem à tarde alguns transeuntes pararam em frente à 'janela de cor vermelha' com a frase 'Posto de bilhardice' e tentavam perceber a intenção do artista.
O autor do projecto, Ricardo Barbeito, não se incomodou com a situação. Apesar de desconhecer quem terá movido a instalação ficou satisfeito porque "é sinal de que as pessoas estão a interagir com o meu trabalho", salientou deixando escapar alguns risos.
Não deixou de ser uma ideia original por parte de Ricardo Barbeito por ser inovadora e provocatória chamou a atenção das pessoas que circulam nessas artérias.
Muitas desconhecem o objectivo outra preferem associar-se ao artista madeirense e deixaram marcas pessoais como assinaturas e outras mensagens. Todos podem colaborar através da inscrição de uma frase, relembrou Ricardo Barbeito, que na oportunidade disse ter achado interessante a frase de alguém: 'Aqui vou ser feliz'.
Filipe Gonçalves
Jornal da Madeira 06-05-08
Tema de exposição e conferências no Teatro Municipal do Funchal
Bilhardice invade passeios do Funchal
Os “postos de bilhardice” que Ricardo Barbeito espalhou ontem pelas placas centrais da Avenida Arriaga suscitaram, desde logo, a curiosidade e divertimento dos que passavam pelo local. O objectivo é mesmo esse, conforme diz o artista, que espera que o público participe neste evento dedicado a formas de comunicação. Uma exposição e um ciclo de conferências no Teatro completam o projecto sobre “A Bilhardice”.
Alguns «postos de bilhardice» estão espalhados pelas placas centrais da Avenida Arriaga. O objectivo deste projecto de Ricardo Barbeito é o de promover uma intervenção estético-artística irónica e cheia de humor que, simultaneamente, convide as pessoas à comunicação.
O projecto está inserido nas comemorações dos 500 anos da cidade do Funchal e inclui uma exposição e um ciclo de três conferências sobre o tema da bilhardice, que estão a decorrer no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias.
A exposição no Teatro é constituída por uma instalação de som e luz, naquilo que o artista considera ser uma expressão de arte contemporânea.
Referindo-se aos “postos de bilhardice” que se encontram nas placas centrais entre a Sé e o Teatro, Ricardo Barbeito explicou que estes eram os locais onde mais se propiciava o velho hábito da “bilhardice” no Funchal. O vermelho escolhido para a pintura desses elementos reporta para a cor dos postos de Correio e das cabines telefónicas londrinas, sítios que representam áreas da comunicação humana.
Conforme disse o artista plástico madeirense, este projecto «pretende chamar a atenção para as especificidades do quotidiano regional, para a cultura, para a linguagem e para a conjuntura artística actual».
Ricardo Barbeito disse que «o público está convocado a participar no debate», podendo fazê-lo quer usando os referidos postos, quer através de opiniões expressas no site www.ricardobarbeito.com.
Conferências no Teatro
Quanto ao ciclo de conferências, a primeira foi realizada ontem e teve como convidada a artista plástica Luísa Cunha.
A artista confessou não ser muito dada a aceitar convites oficiais, mas garantiu não ter hesitado um momento quando recebeu o convite de Ricardo Barbeito, a quem nem conhecia. «Este convite foi a coisa mais divertida e absolutamente inédita que me aconteceu na vida», disse Luísa Cunha, que já viveu alguns anos na Madeira e conhece o tema da bilhardice. Aliás, conforne disse, a sua obra está muito associada a este tema.
Refira-se que no dia 7 de Maio, pelas 18 horas, Carlos Valente, Diana Pimentel e Helena Rebelo darão a sua visão sobre esta temática.
O ciclo termina a 9 de Maio com uma conferência dada por Alexandre Melo e Isabel Santa Clara.
Jornal da Madeira 05-05-08
CULTURA
Data: 05-05-2008
Hoje apresentado no Salão Nobre
“A Bilhardice”no Teatro Municipal
É hoje apresentado no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias, às 18h00,“A Bilhardice: projecto de intervenção estético-artística para a cidade do Funchal”, da autoria do artista plástico Ricardo Barbeito.
Trata-se de um projecto multidisciplinar de arte pública efémera, happening/instalação que conta com a participação dos alunos de Teatro/Interpretação do Conservatório-Escola Profissional das Artes da Madeira, dirigido por Eduardo Luiz.
Após a cerimónia inaugural deste projecto, segue-se uma conferência pela professora Luísa Cunha que abordará a temática da “bilhardice”.
Esta iniciativa está integrada nas comemorações dos 500 Anos da Cidade do Funchal.
Odília Gouveia
PRESS: Diário de Notícias dia 6 de Maio de 2008
Data: 06-05-2008
'Bilhardice' promove reflexão sobre arte
O Projecto inclui um ciclo de conferências que decorre até sexta-feira
O projecto está patente ao público até domingo.
Joana Sousa
'A Bilhardice, projecto de intervenção estético-artística para a cidade do Funchal' foi inaugurada ontem no Salão Nobre do Teatro Baltazar Dias. Promover a curiosidade e reflexão sobre a arte contemporânea é um dos objectivos, conforme revelou o artista responsável, Ricardo Barbeito.
A exposição compreende duas situações: 'Postos de Bilhardice', instalados na Avenida Arriaga e a 'Central da Bilhardice', situada no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias.
No primeiro caso, trata-se de uma intervenção pública urbana, que se caracteriza pela utilização de objectos de madeira inspirados na arquitectura civil da Madeira. De cor vermelha, estão situados em pontos estratégicos, e definem um trajecto até à instalação principal situada no Baltazar Dias, onde tem lugar uma pequena intervenção arquitectónica, acompanhada de uma instalação sonora.
No âmbito deste projecto, está também agendado um ciclo de conferências no Teatro Baltazar Dias. A primeira decorreu ontem e foi proferida pela artista Luísa Cunha, que abordou, entre outros aspectos, os conceitos de público e privado. Amanhã, pelas 18 horas, a palestra é da responsabilidade dos professores da Universidade da Madeira, Carlos Valente, Diana Pimentel e Helena Rebelo. Estará em destaque multimédia, literatura e linguística. Na sexta-feira, a intervenção será proferida pelo crítico de arte, Alexandre Melo e por Isabel Santa Clara.
A exposição é acompanhada do 'site' www.ricardobarbeito.com que disponibiliza um catálogo interactivo. Permite o envio de comentários para um 'blog'. "A participação do público está assegurada, desde que queira", conclui.
Teresa Florença